sexta-feira, 7 de setembro de 2012

[Greve] Histórica greve dos servidores públicos federais

SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS FAZEM UMA GREVE HISTÓRICA 

Este ano de 2012 ficará marcado por uma histórica mobilização grevista do funcionalismo federal. O movimento grevista, que ganhou projeção inicialmente com as paralisações na educação federal, em especial nas universidades, foi crescendo e ganhou o conjunto de cerca de 40 categorias de servidores públicos federais. Em comum, estão reivindicações a respeito de reajustes salariais, tendo em vista a política de arrocho salarial que sofrem, além dos debates a respeito dos planos de carreira das categorias. 

Como sabemos, a resposta do governo Dilma foi autoritária e intransigente. Ameaça de corte de salários (em alguns casos, sua efetivação), decretos para substituir algumas categorias grevistas por funcionários estaduais e municipais (a exemplo do ocorrido na ANVISA), além da ameaça de até mesmo não conceder nenhum reajuste. 

 A greve torna-se histórica, não pelas suas conquistas “materiais”, uma vez que não atinge a recomposição de perdas inflacionárias. Torna-se histórica, pois, conseguiu de alguma forma unificar diversas categoriais em um movimento que não se viu durante todo este período que vivenciamos de governo petista (Lula-Dilma). Porém, destacar esta unificação não significa que houve um rompimento com a perspectiva corporativista presente nos sindicatos e suas direções, quanto nas próprias categorias, mas, ainda assim, permitiu um embate mais firme junto as respostas autoritárias do governo.  

O discurso da crise e o caráter da política econômica do governo Dilma 

No embate político e ideológico, o governo Dilma concentra sua argumentação para justificar uma política de arrocho salarial a crise na economia mundial. Este discurso, com o indispensável apoio da grande mídia, busca esconder o caráter deliberadamente privatista da política econômica do governo querendo tratar como “impossível” qualquer reivindicação, pois tem compromisso com banqueiros, o grande capital, o agronegócio e com o pacto de sangue com as velhas oligarquias. 

Cabe recordar que na ocasião da divulgação do orçamento para 2012 foi anunciado um corte de R$ 55 bilhões em diversas áreas, sendo R$ 1,927 bilhões retirados da Educação, R$ 5,4 bilhões da Saúde, R$ 7,7 bilhões da Previdência e R$ 1, 2 bilhão da Reforma Agrária. Por outro lado, assistimos o governo comprometer mais da metade do orçamento (52%, calculado em 2 de agosto) para o pagamento de juros e “amortizações” da dívida pública. 

Na mesma coordenada, o governo continua com a sua política de investimento público para ser apropriado pela lógica privada ou com políticas de benefício fiscal para a indústria. A Copa do Mundo, por exemplo, tem avaliado em R$ 63 bilhões as verbas públicas para a construção de estádios, obras em estradas, aeroportos e sistemas de telecomunicações. 

A greve da educação federal 

Ao contrário de 2011, quando praticamente inexistiu a articulação entre as categorias de trabalhadores da educação federal, a greve de 2012 conseguiu empreender ações em conjunto que propiciaram relativa solidariedade entre as categorias. Em muitos estados os comandos unificados da educação realizaram atividades em conjunto que estimulam o necessário laço de solidariedade de classe e a construção de luta coletiva. 

A educação pública federal, seja em seu nível superior ou técnico-médio, tem sido alvo de um processo de expansão de sua oferta de vagas, incidido sobre as condições de trabalho e, naturalmente, sobre a própria qualidade do processo educativo oferecido. 

A expansão da educação sob a lógica de mercado dá novos significados ao conceito de “público”, o flexibilizando, tornando-o também associado ao que é privado como vemos em programas como o Prouni e o Pronatec. Uma expansão que se vale de um discurso convidativo aos setores populares, mas que opera na lógica dos cálculos de mercado, eleitorais e de suas elites. Por trás de um debate de inclusão e democratização, muito longe de universalizar o acesso a educação, o que vemos é um acesso realizado de forma estratificada.

A educação, propagada como ideologia de ascensão social e de “solução dos problemas sociais”, segue, em linhas gerais, alimentando relações desiguais. As diversas modalidades de ensino (cursos de curta duração, à distância, etc) e a flexibilização nos tipos de instituições de ensino (universidades, faculdades, institutos, centros, etc) fortalecem uma lógica de mercado na educação e não elimina as barreiras para que os trabalhadores e seus filhos tenham acesso a uma educação de qualidade. A expansão é feita à custa dessa qualidade. 

Por isso, as lutas no âmbito da educação pública federal tem a tarefa de aliar as lutas de política salarial e de planos de carreira à uma luta que questione as bases desse projeto que tem desestruturado o caráter público da educação e a associando cada vez mais aos ditames do mercado. O acesso à educação pública, gratuita e de qualidade, não é concessão de governo. É direito dos trabalhadores e seus filhos e, como tal, precisa ser conquistado

RP-AL/Sindical

domingo, 12 de agosto de 2012

[Repressão] BOPE reprime trabalhadores do centro


Na ultima segunda-feira (06/07/2012) houve, como a maioria a população já está sabendo, uma manifestação dos trabalhadores informais no centro da cidade de Maceió que, basicamente, revindicavam melhorias nas suas condições de trabalho, e essa manifestação acabou não tendo tanta cobertura e divulgação dos verdadeiros fatos na grande mídia formal/convencional. Por isso, intenciono nesse texto, esclarecer e explicitar os reais (e adianto: gratuitamente brutais) acontecimentos daquele dia e situação.

Na segunda-feira fui ao centro da cidade, quando por volta das 11:30, andava pela rua do comércio,  e vi começar então uma repentina correria por parte da maioria das pessoas que estavam no local, acompanhada por uma estranha (e para mim nova) situação: os lojistas estavam, apressadamente, baixando as portas das lojas sem hesitar, mesmo com clientes lá dentro. Sem entender o que acontecia, perguntei a um homem próximo a mim o porquê das lojas estarem fechando de repente, e ele me disse que era por conta da manifestação dos ambulantes, e que os lojistas temiam que estes quebrassem as lojas. Não entendi muito bem a conexão entre as coisas que o homem havia me explicado, então perguntei a um vendedor ambulante (que preferiu não falar o nome) próximo se ele daria uma entrevista para o blog Resistência Popular falando sobre o ato que faziam ali. E ele me informou que a manifestação acontecia pela insatisfação que tinham com as suas atuais condições de trabalho, porque foram massivamente retirados do local de trabalhavam e remanejados para um shopping popular, porém somente pouco mais de 400 ambulantes tiveram o “privilégio” concedido, enquanto a demanda total é de mais de 1000 trabalhadores, resultando numa situação em que mais da metade desses trabalhadores ficou sem um local fixo para comercializar seus produtos, o que afeta muito suas rendas mensais. Ele ainda me disse que os trabalhadores informais foram retirados de seu antigo ponto (próximo à praça dos palmares) por pedidos dos empresários, e que certamente estavam em conluio com o estado para ter tal vontade efetivada.

Então impulsionados por todos esses motivos, os manifestantes estavam pedindo, com a força de toda sua massa que revindicava ali, que lojistas que fechassem suas lojas, paralisando e assim impedindo que o comércio formal continuasse com suas atividades durante aquele dia, porque: “Ninguém trabalha aqui no centro enquanto a gente também não tiver condições de trabalhar com dignidade(...) e as lojas só vão voltar a funcionar quando o governo resolver nossa situação” me disse o ambulante. E quando perguntei sobre a correria dos presentes em direção oposta a dos manifestante, ele me disse: “o pessoal não precisa ter medo nem correr, que a gente não vai quebrar nada, não vai ter bagunça, a gente só quer fechar as lojas pra poder ser ouvido”.

Então os manifestantes se aproximaram do local onde eu estava, onde foram abordados pela polícia, dizendo que os trabalhadores que ali protestavam não poderiam fazer aquilo, porém eles continuaram firmes em seu propósito de luta, se espalhando e continuando a pedir o fechamento das lojas.

A situação continuou nesse clima até o meio dia, aproximadamente, quando então o movimento se intensificou, e da mesma forma a quantidade de policiais cresceu, e esses já se dividiam entre viaturas e motos e carregavam bombas em punho e apontavam suas armas em direção a manifestantes, ameaçando a segurança e intimidado assim todos os presentes (que a essa altura já não eram só manifestantes, mas lojistas, transeuntes, populares etc) então a repressão policial logo respondeu violentamente  às manifestações que continuavam a todo custo por parte dos trabalhadores informais que revindicavam seus direitos, então lançaram primeiramente bombas de efeito moral em direção aos cantos mais aglomerados de participantes do protesto e logo depois formaram um bloqueio da passagem para conter a progressão do protesto.

A situação ficou muito mais tensa quando o BOPE apareceu, saindo de uma rua próxima a Casa Vieira, onde cerca de doze agentes formavam um esquadrão, vestidos todos de máscaras pretas, e portando armas e bombas preparadas para o uso imediato. Nesse momento inclusive os policiais da PM se afastaram do local, retirando-se do meio e ocupando os cantos, ficando encostados às paredes. Enquanto isso um grande número de pessoas entoavam e repetiam: “Queremos trabalhar!” e mesmo somente com essa ação pacífica de contestação que os ambulantes faziam, o BOPE pressionava e coagia os agitadores do ato, quando então um dos manifestantes, num ato de enfrentamento às forças coercivas ali presentes, que tentavam oprimir aqueles trabalhadores e para tal utilizavam-se de seus aparatos bélicos, atirou uma pedra em direção à viatura, sendo então perseguido e preso pela polícia, apesar de sua resistência durante essa ação.  

Em seguida ao acontecido, os policiais do BOPE, gratuitamente, sem que houvesse ameaça concreta alguma por parte dos outros presentes, atirou em direção às pessoas, duas bombas, o que causaram ferimentos em alguns presentes e a dispersão dos que protestavam, e esses ainda foram perseguidos a chutes e cassetetes por policiais militares e alvejados (por bala de borracha) pelas costas enquanto se afastavam do local por policiais do BOPE, resultando em quatro homens feridos, cada um com pelo menos quatro tiros espalhados pelo corpo, e um deles atingido por um tiro na cabeça.

Depois das revoltantes ações de completo abuso de autoridade, violência gratuita, truculência e desrespeito aos direitos civis de ir e vir e de protestar, os polícias (BOPE e PM) presentes seguiram fazendo uma caminhada de dispersão do movimento, amedrontando com suas armas os manifestantes que resistissem e insistissem continuar de alguma forma protestando naquele espaço.

 E então finalmente seguiram até a Rua da Alegria, onde pareciam se preparar para deixar a área, nesse momento dois carros do BOPE deixavam o local, um com policiais já em cima e outro com apenas o motorista, enquanto cerca de doze deles caminhavam de costas (mas ainda empunhando suas armas e em formação de confronto) se afastando do local, o fizeram sem mais conflitos e impedimentos até o final da rua, quando subiram todos no carro, e uma vez feito isso, sem que houvesse qualquer ameaça, qualquer clima de tensão, qualquer aproximação de manifestantes; cerca de quatro policiais que ocupavam a traseira do carro de trás, começaram a desferir diversos tiros em direção à multidão de pessoas que circulavam no local, causando o mais completo desespero em todos, com total e absoluta imprudência, não querendo tomar nota se haviam ali somente manifestantes, transeuntes, curiosos, lojistas, crianças, moradores das imediações, etc, pra eles não importava quem ou por qual motivo estariam ali, todos correram o mesmo risco de serem alvejados sem saber a razão, e comigo não poderia ter sido diferente, escapei por poucos metros da linha de fogo feita pelos policiais.

Com a saída do BOPE, alguns manifestantes remanescentes retomaram com vitalidade, apesar de todos os lamentáveis e repressores acontecimentos, a rua do comércio com as palavras de ordem direcionadas às lojas.

A.A. – militante da Resistência

sábado, 30 de junho de 2012

[Greve das federais] Manifesto à população

Abaixo reproduzimos o manifesto assinado pelas entidades da educação federal.

MANIFESTO À POPULAÇÃO

A defesa do ensino público, gratuito e de qualidade expressa uma exigência da população brasileira, que há tempos clama por serviços públicos de qualidade e é também parte essencial da história dos movimentos sociais ligados à educação. Vale lembrar que educação, saúde, segurança, transporte, entre outros, são direitos de todos e dever do Estado.

Nas últimas semanas, professores, técnico-administrativos e estudantes das Instituições Federais de Ensino voltaram às ruas para cobrar dos governantes que cumpram seu papel e dediquem atenção, de fato, às reais demandas sociais.

Os trabalhadores da educação federal e estudantes estão em greve, porque estão conscientes de que é imprescindível lutar em defesa das Instituições Federais de Ensino. As negociações com o governo não avançam. No entanto, crescem a degradação das condições de trabalho, ensino e a deterioração da infraestrutura oferecida nas universidades, institutos e centros tecnológicos federais.

Os professores, técnicos e estudantes defendem sim uma expansão, desde que exista qualidade. Não adianta criar novas instituições sem oferecer as condições satisfatórias para que elas funcionem. A realidade vivenciada pelos professores, técnicos e estudantes é muito diferente do que divulga a propaganda oficial do governo federal. A cada começo de ano fica mais evidente a precariedade de várias instituições federais de ensino, principalmente naquelas em que ocorreu a expansão via Reuni.

Faltam salas de aula, laboratórios, restaurantes estudantis, bibliotecas, banheiros, saneamento básico e em alguns lugares até papel higiênico. Ninguém deveria ser submetido a trabalhar, a ensinar e aprender num ambiente assim.

 Além disso, é necessário também oferecer um plano de carreira, que valorize os professores e técnicos e os incentivem a dedicar suas vidas a essas instituições, à construção do conhecimento, aos projetos de pesquisa e de extensão. Só assim, é possível oferecer educação com a qualidade que a população brasileira merece.

 No entanto, o governo federal vira as costas para os argumentos e propostas dos servidores públicos e usa seguidamente o discurso da crise financeira internacional como justificativa para não atender às reivindicações que são apresentadas pelos movimentos sociais em defesa da educação.

 Não faltam recursos, o que falta é vontade política dos governantes. A verdadeira crise brasileira não é a crise financeira, mas sim ausência de políticas públicas que atendam as necessidades da população.

Priorizar a destinação dos recursos públicos na lógica do setor empresarial financeirizado, como o governo tem feito, causa impactos cada vez mais negativos nos serviços públicos.

Os professores, técnicos e estudantes estão nas ruas para dar um novo rumo ao ensino federal e, para isso, conclamam toda a população a fazer de 2012 um marco na história da educação brasileira.

ENTIDADES NACIONAIS DA EDUCAÇÃO FEDERAL
ANDES-SN/ FASUBRA/ SINASEFE

sábado, 23 de junho de 2012

Nota da Resistência Popular de Alagoas sobre a Marcha das Vadias

Vimos por meio desta esclarecer a retirada da Resistência Popular de Alagoas (RP-AL) da “Marcha das Vadias”, que aconteceu no dia 17 de junho de 2012, na orla de Maceió-AL.

Temos compreensão da importância da Marcha das Vadias como um tipo de mobilização em nosso estado. Os números de casos de violência contra a mulher são alarmantes e, atrelado a isso, toda a construção histórica de nossa sociedade é embasada no machismo, autoritarismo e dominação da mulher pelo homem. Vemos o quanto essas questões são enraizadas na sociedade alagoana.
Nós, enquanto organização popular que acredita na união do povo contra todos os tipos de opressão, almejando a construção do Poder Popular, vislumbramos na Marcha uma possibilidade de concretizar lutas, ao propor unir mulheres que sofrem cotidianamente uma castração de sua liberdade e autonomia, além de agregar simpatizantes à causa. Ainda mais, essa luta se torna obrigatória para nós, pela própria vinculação do coletivo “Mulheres Resistem” ao nosso movimento.
Usando uma linguagem incomum aos tradicionais movimentos sociais, a marcha tem levantado o debate acerca da liberdade da mulher sobre seu próprio corpo. E, por mais que a Marcha das Vadias não tenham um alcance em todos os setores do povo, representa um importante movimento que esperamos que cresça e venha a colaborar com a movimentação de diversas companheiras e companheiros que ainda debatem  incansavelmente temas como a legalização do aborto, o fim da violência contra a mulher e demais temáticas pertinentes à libertação humana, como o tem feito.
Um movimento singular que se diferencia de outras manifestações do movimento sindical e estudantil, por exemplo. Uma organização de certo modo espontânea e autônoma que utiliza de recursos de nosso tempo, como as redes sociais da internet.  Esse era o clima que esperávamos encontrar na orla de Maceió e de fato encontramos. Respeitar espaços como esses não é negar as velhas formas que costumamos fazer movimento. Elas permanecerão, embora esperemos que se atualizem ao seu tempo. É preciso, no entanto, entender a singularidade do processo.
Esclarecemos ainda, antes de mais nada, que não somos uma organização política, embora como tendência social temos nossa bandeira e utilizamos em espaços públicos. Sendo assim, medimos cada espaço que vamos levar nossas bandeiras e outras simbologias, e sempre que temos a intenção de mantermos sintonia com a proposta do que o coletivo que organiza determinado movimento se propõe. 
Embora não diretamente, dando conta de uma programação intensa e inadiável nas nossas frentes de militância, acompanhávamos a organização do ato e sabíamos da polêmica sobre a utilização ou não de bandeiras de organização política no ato, principalmente capitaneada pelo PSTU. Sendo assim, soubemos que foi decidido a utilização de bandeiras. A via é pública e sabemos que é muito difícil ter controle sobre isso, mas as diversas organizações poderiam se manifestar com panfletos ou outros instrumentos que só iriam enriquecer a proposta sem colocar a sua simbologia acima da proposta do ato. No entanto não foi isso que ocorreu.
Antes de chegar no ato qualquer um podia ver de longe duas bandeiras do PSTU que se destacava do restante da manifestação  e contrastava com todo o resto da proposta do que ali via-se colocado. Para nós, uma forma de partidarizar um movimento, dando margem à leitura de que o movimento estava ligado a partidos específicos, quando a verdade era totalmente o contrário. Interpretamos com isso, que o interesse do PSTU se colocava acima da luta que a Marcha da Vadia se propunha, pondo o partido acima do movimento e não respeitando diversos outros militantes que demonstraram no início da organização do ato, durante e até mesmo no próprio dia da marcha, um grande incômodo com a situação.
Não seguimos a manifestação para não compactuar com essa atitude, mas não condenamos outras organizações e individualidades que não tenham feito isso.  Nós, da RP, tivemos um posicionamento claro em relação ao uso de bandeiras e, principalmente, quando essas bandeiras foram utilizadas por um único partido político. A proposta de levantar todos os debates acima descritos foi mantida, embora com um certo prejuízo pela atitude do PSTU. 

Esperamos colaborar para que a proposta original do movimento seja mantida e estaremos juntos em outras oportunidades, mas sempre defendendo esta proposta. Acreditamos que organizações políticas, tendências e outros agrupamentos servem para impulsionar a luta, e por isso deve estar inseridos nos movimentos e não buscando controlá-los a seu favor.

domingo, 27 de maio de 2012

[CinePopular] Zuzu Angel

Edição de maio do Cine Popular nessa quinta (31/05) às 19h com o filme Zuzu Angel.

quarta-feira, 28 de março de 2012

E à medida que o caixão descia para sempre...



44 anos do assassinato de Édson Luís de Lima Souto!


28/03/1968


Por Henrique Bezerra

No fim da tarde ou início da noite do dia 28 de março de 1968, por volta das 18hs foi assassinado o jovem paraense, estudante secundarista (que recém completara 18 anos), Edson Luís de Lima Souto, que jantava, momentos antes de mais uma das constantes manifestações da Frente Unida dos Estudantes do Calabouço (FUEC), no restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro. Os estudantes protestavam, “simplesmente”: “contra o aumento do preço da refeição, que consideraram abusivo, e pela conclusão das obras do restaurante” (Valle; 1998, p. 50). Um protesto “simples”, considerando suas reivindicações e por ser uma ação corriqueira naquele restaurante, porém, realizado num momento de intensa tensão política e social, em pleno ano de 1968. O Calabouço funcionava em outro local e fora demolido sem explicação confessada. Porém, acreditase que tenha sido devido aos preparativos para uma reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI), no Museu de Arte Moderna, de onde o antigo Calabouço ficava próximo.

Para alguns, o emblemático ano de 1968 começou com este acontecimento. A partir deste dia, foram inúmeras as manifestações de rua, aglutinando não apenas estudantes, até o decreto do Ato Institucional nº 5 (AI-5) e a avaliação de boa parte dos estudantes - que tinham maior participação na luta estudantil e política - que não havia mais a possibilidade de mobilizações como até então eram desenvolvidas, ou seja, partindo para a clandestinidade que exige a luta armada. O assassinato de Édson Luís, tomou proporções gigantes, devido, principalmente, o caráter explícito e covarde de tal ato. Não se tratava de mais uma pessoa que tinha sido “suicidada” (justificativa bastante utilizada pelos torturadores – como no caso de um outro assassinato, o do jornalista Vladimir Herzog [Vlado]) ou então, “simplesmente”, mais um caso de “desaparecimento” (outra justificativa exaustivamente utilizada pelos partidários do Golpe). Tratava-se, isto sim, de um assassinato! Aos olhos de todos e todas que se faziam presentes naquele restaurante ou ao seu redor – como por exemplo, os jornalistas Ziraldo e Zuenir Ventura, que estavam na redação de uma revista que tinha sede próxima ao Calabouço.

Com um tiro no peito, caiu morto “um jovem que poderia ser seu filho” (frase que se tornou uma consigna nas grandes manifestações do enterro, das missas de Édson Luís e até na passeata dos 100 mil). Na tentativa (frustrada e ridícula) de justificar o assassinato, o General Osvaldo Niemeyer Lisboa, superintendente da Polícia Executiva, afirmou que “a polícia estava inferiorizada em poder de fogo” (Poerner; 1979, p. 293). Aqueles estudantes – e desconheço relatos que afirmem o contrário – estavam “armados” com paus, pedras, garfos, facas, pratos... “Armas” encontradas em qualquer restaurante ou em qualquer rua, ontem e hoje. Mesmo assim, este militar tenta justificar dessa forma. Além disso, segundo o jornal estudantil O Metropolitano, de abril de 1968, ao falar sobre a brutalidade da violência policial, ressalta que a prova de tal brutalidade residia não apenas no assassinato do estudante, mas, também, nas “diversas perfurações a poucos centímetros do chão, nas paredes do restaurante. Pelo menos seis dessas perfurações se encontravam a metro e meio do solo”. (in Valle; 1998, p. 55). Ou seja, atiraram para matar, de fato!

Frente ao ocorrido, o jornal que fazia oposição à ditadura civil-militar no Brasil: Correio da manhã, no editorial do dia seguinte (29 de março de 1968), se posiciona sem a farsa da imparcialidade:

“Estudantes reuniram-se ontem, no Calabouço, para protestar contra as precárias condições de higiene do seu restaurante. Protesto justo e correto. (...) Apesar da legitimidade do protesto estudantil, a Polícia Militar decidiu intervir. E o fez à bala. (...) Não agiu a Polícia Militar como Força Pública. Agiu como bando de assassinos. Diante dessa evidência cessa toda discussão sobre se os estudantes tinham ou não razão - e tinham. E cessam os debates porque fomos colocados ante uma cena de selvageria que só pela sua própria brutalidade se explica. Atirando contra jovens desarmados, atirando a esmo, ensandecida pelo desejo de oferecer à cidade mais um festival de sangue e morte, a Polícia Militar conseguiu coroar, com esse assassinato coletivo, a sua ação, inspirada na violência e só na violência. Barbárie e covardia foram a tônica bestial de sua ação, ontem. O ato de depredação dos restaurante pelos policiais, após a fuzilaria e a chacina, é o atestado que a Polícia Militar passou a si própria, de que sua intervenção não obedeceu a outro propósito senão o de implantar o terror na Guanabara. Diante de tudo isso, depois de tudo isso, é possível ainda discutir alguma coisa? Não, e não. A Guanabara, cidade civilizada e centro cultural do Brasil, não perdoará os assassinos”. (in Valle; 1998, p. 54).

Com as ruas escuras, mesmo já sendo à noite, as “autoridades da ditadura” efetuavam mais uma tentativa frustrada de “abafar” o que estava acontecendo, inclusive para que as pessoas nas ruas não conseguissem ler os diversos cartazes empunhados pelas que participavam do cortejo fúnebre. E à medida que o caixão de Édson Luís de Lima Souto, descia para sempre, em várias partes do cemitério de São João Batista, no Rio de janeiro, naquele cemitério e em várias partes do Brasil, o juramento era feito e compartilhado: neste luto, começa a luta!”.


Pelo direito à Memória... Pela necessidade da luta!

Passaram-se 44 anos daquele fim de tarde. 44 anos e a violência de Estado continua presente como sempre esteve. Em breve, no dia 1º de abril (considero esta data, mesmo sabendo que alguns defendem que o “aniversário” do golpe seja em 31 de março), serão completados 48 anos do golpe civil-militar de 1964. São 48 anos de impunidade, de “verdade velada” (e não revelada). Mesmo com uma presidenta e vários parlamentares que sofreram na pele as consequências do golpe, a maior parte dos arquivos da ditadura (ou, ao menos, aqueles que ainda não foram destruídos – prática comum entre os partidários do regime militar) continuam guardados por diversas chaves e sob os olhares atentos dos generais que hoje, no lugar da punição por seus atos, muitos vivem confortavelmente e desfilam como símbolos de vivos de um país que não se importa nem mesmo com sua História. A Comissão da Verdade continua “no papel”. Um engodo que, ao que parece, no máximo, produzirá alguns novos documentos com informações não tão novas assim e, pronto.

Baseados na argumentação de que a Lei da Anistia sela a conciliação nacional,
torturadores, partidários do silêncio que deriva do medo, continuam impunes. E diversas mortes, seja a de Édson Luís, Vlado, o alagoano Manuel Fiel Filho - para citar apenas alguns nomes entre tantos “suicidados” e “desaparecidos” conhecidos e anônimos - sejam tratadas como meras “fatalidades”. De acordo com o que foi afirmado pelo cientista social Bruno Lima Rocha:

“Negar que o Estado brasileiro deliberadamente torturou, matou, cometeu desaparição forçada, violentou, liberou seus chacais para saque e botim de bens de opositores é negar a história do país. [...] Infelizmente esta mesma negação do óbvio faz com que tenhamos aprovado a Anistia para criminosos oficiais e, ao contrário, das demais democracias do ConeSul, sermos o país que menos puniu a seus antigos algozes”. (A comissão da verdade e o silêncio dos culpados; março de 2012.


Hoje, seja também de forma explícita e “legal” (como, por exemplo, com a máquina de extermínio legal, que recebe o significativo nome de: Caveirão) ou de formas mais sofisticadas, vários jovens como Édson Luís de Lima Souto, continuam sendo silenciados e/ou assassinados diariamente, principalmente, nas periferias das cidades. Crimes de intolerância parecem ser cada vez mais tolerados pelos quatro poderes (Executivo, Legislativo, Judiciário e Midiático). Aqui e acolá, crimes de ódio às diferenças tornam-se comuns. Por outro lado, as manifestações “por paz” parecem tentativas de conforto pessoal e de tão estéreis soam irônicas. As feridas nos tão surrados Direitos Humanos, continuam abertas. E assim continuarão, até a dignidade ser
um sentimento/ação de rebeldia.


Bibliografia:

MARTINS FILHO, João Roberto. Rebelião estudantil: 1968 – México, França e Brasil. Campinas, SP: Mercado das Letras, 1996.

POERNER, Artur José. O poder jovem: história da participação dos estudantes brasileiros. 2ª edição: revistada, ilustrada e ampliada. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979.

ROCHA, Bruno Lima. A comissão da verdade e o silêncio dos culpados. Março de 2012. Artigo visualizado em 28 Março de 2012. No portal:

VALLE, Maria Ribeiro do. A morte de Edson Luís e a questão da violência. In MARTINS FILHO, João Roberto (org.). 1968 faz 30 anos. Campinas, SP: Mercado das Letras; São Paulo: Fapesp; São Carlos, SP: Editora da Universidade de São Carlos, 1998.

VENTURA, Zuenir. 1968: O ano que não terminou. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988.


Zona Sul (periferia de Maceió/AL), fim de tarde ou início da noite de 28 de março de 2012 – 44 anos depois

domingo, 26 de fevereiro de 2012

II Jornadas de Luta da Mulher + Cine Feminista

Em 2011, o Coletivo Mulheres Resistem realizou a sua primeira edição das Jornadas de Luta da Mulher, uma iniciativa de mulheres de várias partes do Brasil após o ELAOPA 2011, no intuito de fomentar debates a partir de temáticas que cercam a luta da mulher, para além das simples flores no 8 de março. Nesta segunda edição agrega em suas atividades a proposta do Cine Feminista, surgido em Salvador e executadao também em Natal e Recife no mesmo ano de 201, este muitas mulheres estão se organizando em suas cidades, esperando ter ssegundas e muitas primeiras exibições em mais partes do Brasil!

Arriba las que luchan!


Confira abaixo a chamada e programação para II Jornadas de Lutas da Mulher!
 
 
 Acompanhe o blog do coletivo Mulheres Resistem! Clique aqui!