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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

CONVOCATÓRIA: X ELAOPA



X Encontro Latino Americano de Organizações Populares Autônomas – ELAOPA
Construir o Poder Popular para a integração dos que lutam!

Completamos 10 anos desde a primeira edição do ELAOPA em 2003, e seguimos por nossa América Latina orientados pelos princípios fundamentais que nos constituem.
Nos definimos como organizações sociais orientadas pela luta de classes, pela identidade como povos originais deste continente, e por princípios como trabalho de base, democracia direta, solidariedade entre os de baixo, luta popular e autonomia dos oprimidos.
Mantemos a nossa independência frente a partidos políticos, ao Estado e a seus governos, ONGs, empresas, e a todos aqueles que vêm nos dizer o que temos que fazer, com estruturas autoritárias e distantes de nossa realidade. Reivindicamos a autonomia porque é uma ferramenta para realizar nossos sonhos.
Fazemos as ações políticas a partir de nossas organizações sociais, com a participação de todas e todos para criar um poder nosso, um Poder Popular.
Desde o primeiro encontro nos propusemos a juntar nossas mãos e forças para mudar a realidade injusta e brutal de mais de 500 anos de opressão em nosso continente. Nessa América Latina que, no final do século XX, foi alvo das políticas neoliberais e do programa aplicado pelo Consenso de Washington promotor do livre comércio, das privatizações, da desregulamentação da economia, de reformas impositivas, e da redução de gastos públicos. Nesse contexto a ameaça vinha sob a sigla ALCA, mas ao mesmo tempo eram diversas as lutas de resistência que impuseram derrotas parciais através da ação direta popular, o que derrubou governos, reverteu privatizações e colocou em xeque golpes de Estado. Foi desde então que o ELAOPA tem servido como um espaço de acúmulo de experiências organizativas diversas, fortalecendo os campos de atuação no meio popular, sindical, estudantil, comunitário, ambiental, campesino, etc.
Levando em consideração a realidade latino-americana, é reconhecido que nessa última década tivemos algumas mudanças. No entanto, também devemos criticamente pontuar que essas mudanças têm encontrado limitações. Sabemos que existem diferenças importantes entre os governos neoliberais do passado e os atuais, intitulados de progressistas. Porém, ao mesmo tempo, existem semelhanças estruturais entre esses governos que se apresentam como limites para os sonhos de uma verdadeira emancipação da nossa gente.
Vivemos hoje uma tentativa de aliança entre os de cima e os de baixo, através das políticas de conciliação de classes desses governos progressistas. Seguimos em nossas realidades com um modelo capitalista extrativista como os principais países exportadores nos setores agro-mineral, e estamos entre aqueles comprometidos com as principais multinacionais energéticas e de mineração do mundo. São essas concessões às multinacionais extrativistas que, aliadas às classes dirigentes locais, garantem certa estabilidade ao financiarem os crescentes gastos sociais que permitem a reeleição desses governos.
Estão em curso programas contra a pobreza e tem se registrado algum êxito na redução da miséria, mas isso tem sido consequência do crescimento econômico e não é feito através da redistribuição da riqueza.
Na região, os governos têm financiado projetos de infraestrutura em grande escala para vincular os setores agro-mineral aos mercados exportadores, devastando o meio ambiente sob a justificativa do desenvolvimento produtivo. Ao mesmo tempo, os projetos de integração na América do Sul evocam nos discursos desses governos a epopeia dos mártires que resistiram ao imperialismo colonial em busca da independência. Dessa maneira, tentam blindar os interesses das transnacionais através da Iniciativa de Integração da Infraestrutura Regional Sulamericana (IIRSA) com citações de Simon Bolívar, José Martí e Artigas.
Por isso afirmamos que, para a emancipação dos oprimidos latinoamericanos, o caminho segue sendo o da luta popular. A cooptação e o clientelismo são tentativas eficazes que o sistema utiliza para nos fragmentar, mas não são capazes de sufocar a resistência. Seguimos firmes nas tarefas, organizando-nos, lutando e resistindo na escala local, denunciando os projetos da IIRSA e fazendo o contraponto político e ideológico aos mecanismos de controle do sistema nesses cinco séculos de dominação em nosso continente. Vamos semeando a solidariedade, construindo o Poder Popular com independência de classe e promovendo a ação direta contra as injustiças. Pela integração dos que lutam!
X ELAOPA – 25, 26 e 27 de Janeiro de 2013
Rio Grande do Sul/Brasil

sábado, 6 de outubro de 2012

Sobre megaeventos e criminalizações


Manifestantes em POA/RS estão sendo acusados por "dano ao patrimônio público", por causa da manifestação e das ações com o mascote da Copa do Mundo!!! A pergunta que em negrito é destacada em minha mente - e que exponho aqui num somatório de angústia, revolta e solidariedade de classe - é:


"Por que o descaso com o patrimônio público por parte de governantes não é criminalizado?"


Imagem: #NãoMeCalarei/Facebook
  
Não é novidade vermos notícias sobre desvio de verba de merenda; falta de aulas por não ter professores; escolas públicas onde as aulas são suspensas porque o teto está ameaçando desabar (ou já desabou); ou escolas que têm o ano letivo bastante atrasado porque serão reformadas em caráter de urgência [logo próximo às eleições, é estranho, não?!?!]; aulas ministradas dentro de containers; noites “em claro” na porta de postos de saúde para conseguir uma ficha para ser atendido; filas e mais filas nos corredores de hospitais; os trabalhadores do SUS tendo que “fazer milagre” para manterem os hospitais e atendimentos mesmo em condições de enorme precariedade etc. Será que esses exemplos – apenas alguns entre uma infinidade deles – não servem para serem caracterizados como “dano ao patrimônio público”?

E quando achamos que, enfim, veremos justiça... O que assistimos é aquele teatro cômico e dramático no Supremo, com destaque para a atuação [coerente com nossa (in)justiça] do Sr. Lewandowski e seus pares. No julgamento do mensalão.
 

Isso leva a crer que, crime é para aqueles que se rebelam contra “a normalidade do capitalismo”, apenas e ponto. A Copa do Mundo nos vai servir para que? Torcer pela nossa seleção [que, inclusive, do jeito que está, corre o sério risco de não passar da primeira fase] e nos embebedarmos com o bombardeio midiático que vende a imagem de um povo feliz, receptivo, que vive em um paraíso tropical onde não há problemas – e se há, podem ser resolvidos depois da Copa? Seja na África do Sul, seja no Brasil ou onde for, esses mega empreendimentos são interessantes apenas para aqueles que se beneficiam deles e, com certeza, não é o povo pobre. Os trabalhadores que estão construindo (ou reconstruindo) os estádios, só poderão assistir aos jogos se “ganharem os ingressos” ou se for pela televisão mesmo.


Fora daquela imagem preocupada em fazer um belo espetáculo para gringo ver, o que têm acontecido é o despejo de diversas famílias em todas – ou praticamente todas - as cidades os serão realizados os jogos desse megaevento. Como é o caso de Fortaleza, onde a Comunidade do Trilho e outras, estão travando uma intensa luta não apenas pelas suas casas mas, por suas memórias, por suas dignidades - que, por mais feridas que estejam, não deixam de fortalecer a luta e a resistência não apenas por lá.
 

Portanto, o que aconteceu em POA/RS não é um ato isolado, não é um ato sem necessidade, sem nexo, descontextualizado, aventureiro ou qualquer outro adjetivo que a grande mídia possa utilizar. Ao contrário disso, é um ato que encontra respaldo em todos aqueles que estão sofrendo diretamente com esse megaevento ou aqueles que compreendem que, como já dito, não é algo para as classes oprimidas, mesmo as contas sendo pagas por elas, o que diz respeito às verbas públicas utilizadas.

A manifestação terminou em uma "batalha campal" no centro de Porto Alegre e muitos manifestantes foram feridos.
Imagem: Ramiro Furquim/Sul21

Para finalizar, um apelo criativo, exposto em diversos atos pelo Brasil: “Presidenta Dilma, finge que eu sou a Copa do Mundo e investe em mim. Ass.: Educação Pública”.
 

Por: um nordestino da Terra de Palmares