quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Zona Sul - O que cultivar?


Construção para a visita do Papa, em 1991, passou mais de 20 anos abandonada.
Estrutura poderia ter sido utilizada para incentivar a cultura na beira da lagoa.



Mesmo o pão, um dia foi trigo. Boa parte dos alimentos, para chegar às mesas, precisa de um “terreno”, de um pedaço de terra para ser cultivado. E belas flores ou bons frutos podem ser cultivados mesmo em espaços inesperados. Quantas culturas ou quantos tipos de manifestações culturais diferentes (e divergentes) podem ser encontradas na Zona Sul? Um pouco de atenção, pesquisa e seriedade já são suficientes para perceber o quanto de produção cultural é realizada nestes bairros de Maceió.

Porém, assim como o pão, a cultura popular também precisa de mais do que apenas as mãos daqueles e daquelas que a plantam. Ou seja, a farta produção cultural nessa área já é uma cultura de resistência, tendo em vista a existência (e sobrevivência) mesmo, praticamente, sem incentivo e tendo que, constantemente, “remar contra a correnteza”. Quando falamos em incentivos, não se trata de “mesada para a cultura”, e sim, de direito! Por exemplo, Lei de Incentivo a Cultura, Leis específicas para cultura de periferia e para a periferia (como existe em alguns outros Estados), criação de espaços de cultura e lazer nas periferias etc. Quando, na verdade, o que vemos é justamente o contrário: ausência e abandono – como, por exemplo, o palco construído à margem da Lagoa Mundaú, no Dique Estrada, que poderia ser um espaço constante de apresentações artísticas, lazer e produção de arte.

Quando se trata desse assunto, uma fala bastante repetida é: “o governo faz, mas o povo quebra, estraga”. Deve-se perceber que educação não é apenas um processo formal. Ou seja, educação não é apenas “coisa de colégio”. É um processo que se inicia desde a família até à convivência nas ruas. Compreendendo essa continuidade, compreende-se a necessidade da continuidade de espaços e ações culturais nas periferias. Assim como a educação não se acaba quando o indivíduo acaba o ensino médio (ou superior), não basta a construção de espaços de cultura e lazer; estes também precisam ser contínuos, vivos.

Porém, não é isso que vemos do lado de cá. Enquanto em bairros ‘considerados nobres’, avenidas são fechadas aos domingos para que suas crianças possam brincar com tranquilidade e segurança, nas periferias, nossas crianças perdem os poucos e improvisados espaços de lazer – como ‘o campinho’ na Praça dos Pobres, onde hoje está situado um posto policial. Será que o Estado não poderia comprar ou alugar uma casa para ser instalado esse posto? Tinha que ser justamente num espaço onde a molecada jogava bola? Lembrando também do abandono dos brinquedos que – faz muito tempo – não recebem manutenção (aqueles que ainda existem) seja na Praça do Cruzeiro, na Praça Santa Tereza, o cuscuz da Praça da Faculdade etc...

          
Posto que foi construído no lugar do ‘campinho’
onde as crianças jogavam bola

Pobreza gera violência?

Outra argumentação bastante difundida é em relação à violência – o Vergel é considerado um dos bairros mais violentos da cidade. Será que não pode ser feita nenhuma relação entre tudo que já foi dito neste breve texto (ausência e abandono de espaços de cultura e lazer) com o aumento dos índices de criminalidade, principalmente, envolvendo jovens e crianças nesta região? Criminalização da pobreza e incentivo à cultura do medo além de serem lucrativas para uma minoria, mantem o silêncio da maioria. E silêncio é uma das coisas que os exploradores mais querem.

Como já dito, a Zona Sul de Maceió é uma região de uma farta produção cultural - artesanatos diversos; bumba-meu-boi; música; literatura; grupos de capoeira, de dança, de teatro... Apenas para citar alguns exemplos. Nesta região você pode encontrar jovens dançando break, às margens da Lagoa Mundaú, tendo como plano de fundo um pôr do sol belíssimo, que ilumina às águas onde estão os pescadores, que mais do que peixes, pescam sua sobrevivência e dignidade. Apesar de todas as dificuldades, encontram-se aqui poetas, cordelistas, escritores com livros lançados. Músicos e bandas dos mais diversos matizes musicais e com trabalho divulgado nacionalmente. Os detalhes dos exemplos não caberiam apenas neste texto. Entretanto, qual a imagem que é divulgada dessa região: violência, crime, mortes - uma rápida pesquisa num site de buscas mostrará o contraste.

Mesmo com todo descaso, a comunidade 
continua produzindo cultura de qualidade.
Como o Boi Alegria que é associado ao Núcleo 
Cultural da Zona Sul


Portanto, não é a pobreza que gera a violência, mas a desigualdade, sim. A violência cometida com caneta, por homens que usam terno e gravata, que provoca mortes devido ao desvio de verbas destinadas à saúde pública ou a fome de crianças que encontram na merenda escolar um importante motivo para irem às escolas ou o descaso em relação aos espaços de cultura e lazer nas periferias, que poderiam acolher jovens e crianças de modo bem mais atrativo que o crime, é “menos violência”? E a desigualdade, embora possa ter como o peso maior a economia, não é apenas econômica. A cultura que é produzida em ateliês e oficinas nos “bairros nobres” ou a cultura que é produzida pelos acadêmicos nas universidades é “mais cultura” que as produzidas no chão de terra batida, nos fundos de quintais ou ao ar livre nas praças das periferias?

Agora resta escolhermos o que queremos cultivar.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

VI Mostra da Resistência: CONSCIÊNCIA NEGRA

A Resistência Popular/Alagoas, desde 2008, realiza atividades temáticas em memória ao dia da Consciência Negra (20 de Novembro, data do assassinato de Zumbi dos Palmares) e esse ano não poderia ser diferente. Contaremos com quatro datas: 07, 13, 23 e 30 de novembro. Convidamos todos os interessados a somar-se a esta comemoração, não como festa, mas como memória e luta por novos sonhos de justiça e igualdade, nos apoiando na História do Quilombo da liberdade, Quilombo dos Palmares!

“Palmares é símbolo da resistência de um povo. Hoje a escravidão foi “oficialmente abolida”, mas a grande maioria da população ainda é explorada pela elite dominante. Alguns de forma mais brutal outros de maneiras mais disfarçadas, mas ambos fazendo parte de um mesmo povo.
Alagoas é conhecida como a terra dos pistoleiros, a terra dos taturanas, a terra dos usineiros e um dos últimos redutos dos coronéis. Essa Alagoas é bem conhecida e divulgada na grande mídia, mas a Alagoas que queremos mostrar é a Alagoas da resistência de Palmares e da luta de um povo por sua libertação. Que a lembrança desse grandioso fato histórico inspire nosso povo a fazer como os negros e negras de Palmares. Ultrapassar a humilhação que nos envolve e abraçar a causa de um ideal libertador.”
(Resistência Popular, novembro de 2008)



CASA DA RESISTÊNCIA: COMO CHEGAR?

MAPA
http://goo.gl/maps/P9Cye

É bem simples de chegar, pra quem vem de fora, mas já conhece o bairro é saltar no ponto após a Praça Santa Tereza e entrar na rua em frente ao ponto do Colégio Rui Palmeira.

Pra quem ainda não conhece, passam aqui as linhas:

> No ponto do Rui Palmeira: Pontal-UFAL, Trapiche-UFAL, Mirante-Vergel, Jacarecica-Vergel, Vergel-Jatiúca, Ponta Verde-Vergel (Avenida ou Santo Eduardo), J Leão - Ponta Verde.

> Na rua da sede: Henrique Equelman-Vergel (Passa por trás da principal, descer após a Cabo Reis e voltar até o Mercadinho Omena).

> No ponto da Santa Tereza (e seguir andando até o Rui Palmeira, na mesma rua): Clima Bom-Trapiche, João Sampaio - Trapiche, Pontal-Rodoviária, Cruz das Almas-Trapiche, Circular 2.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Assistência Estudantil


Introdução:

   Para devidamente começarmos a discussão sobre assistência estudantil é preciso que entendamos a educação e os seus méritos como patrimônio de toda a sociedade, somente assim poderemos avançar na nossa empreitada. É, portanto, nessa base que encontraremos as condições necessárias para definir e investigar as condições da assistência estudantil no Brasil, mais especificamente em Alagoas.
Admitindo os pressupostos anteriores sobre o patrimônio social devemos, assim, encaixar a universidade e seu papel dentro desta sociedade. Entende-se, então, a partir da sua natureza, que a universidade tem como principal papel: gerar, sistematizar e socializar o conhecimento e o saber, formando profissionais e “cidadãos” capazes de contribuir para o projeto de uma sociedade justa e igualitária. Sem essa admissão justificaríamos práticas e políticas que serão posteriormente rechaçadas e refutadas, portanto faz-se necessário ter esse papel em mente.

   A universidade, fazendo parte da própria sociedade, também é uma expressão dela abrigando também suas contradições; mas ela se constitui como uma instituição no qual essas contradições devem ser combatidas, dado seu caráter formador e produtor de novos conhecimentos e socializador destes, no qual teoricamente superariam os antagonismos que as assolam.

Tendo isso em vista a redução das desigualdades socioeconômicas faz parte do processo de democratização da universidade e da própria sociedade. Torna-se necessária a criação de mecanismos que valorizem a entrada, permanência e conclusão de cursos dos que optam por nela ingressar, reduzindo assim os efeitos das desigualdades.

* As dificuldades de vida que causam o não prosseguimento dos estudantes na academia, contribuem para evasão e a defasagem.

* A não definição de recursos e políticas para a manutenção de projetos de assistência estudantil que busquem criar condições objetivas de permanência desse segmento da população na universidade faz com que esses “estudantes”, muitas vezes, retardem e até desistam de seus cursos.

   Objetivamente, a sociedade, na nossa concepção, é dividida em classes, consequentemente, enquanto for assim, transpassará a desigualdade por todos os âmbitos sociais. A universidade, se entendida como um direito de todos, reflete essas disparidades e, algumas vezes, a tonifica (com mais tempo exigido dos estudantes, mais produtividade acadêmica, maior convívio com diferenças, etc...), atenuando a situação de quem possui menos poder aquisitivo e não dispõe de recursos (físicos, materiais e intelectuais) para garantir uma boa formação. Em outras palavras a universidade se abre para o estudante, mas se fecha para garantir as condições a qual ele precisaria para se formar, superficialisando a primeira abertura, acarretando em uma série de transtornos. Por isso é tão importante garantir as necessidades básicas para a população
trabalhadora em geral e dos estudantes especificamente, tal como: moradia, alimentação, transportes, apoio acadêmico entre outras.


Leis:

A constituição federal de 1988 consagra a educação como dever do estado e da família e tem como princípio a igualdade de condições de acesso e permanência na escola.

* Artigo 3º LDB (Lei de Diretrizes e Bases): “O ensino deverá ser ministrado com base nos seguintes princípios: 1- Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola” 2- A educação deve englobar os processos formativos e que o ensino será ministrado com base no princípio da vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais.

   A garantia por lei não só não garante seu cumprimento como, também, abre espaços para [más] interpretações no que tange a assistência estudantil, o que abre pretextos teóricos para implantação de políticas transvestidas de “assistências” que, no fim das contas, não progridem efetivamente a educação no país. O Reuni é um exemplo claro disso, em seu decreto de abril de 2007 no artigo primeiro diz que esse “tem por objetivo criar condições para a ampliação do acesso e da permanência na educação superior”. E diz mais “o Programa terá as seguintes diretrizes, entre outras, ampliação de políticas de inclusão e de assistência estudantil”. Porém o que se vê na prática é uma inchação na entrada de estudantes nas universidades e poucas (quase nenhuma) melhorias nas condições objetivas que contribuem para a formação destes.

   Os princípios como colocados acima levam-nos a refletir sobre as práticas institucionais levando como norte dois fatores latentes ao falarmos da finalidade de tais leis e programas:

*Dignidade humana.

*Ações transformadoras no desenvolvimento do trabalho social com seus integrantes.


Socialização:

Dando atenção especificamente para o segundo ponto devemos entender a assistência estudantil considerada nos planos para uma melhoria das condições de comprometimento social e de sua transformação. E somente garantindo o conhecimento e estendendo-o para a sociedade/comunidade que permearemos pelas três dimensões do fazer acadêmico (Gerar, Sistematizar e Socializar o conhecimento), viabilizar a relação universidade/comunidade. Para, assim, inseri-la na práxis acadêmica, entendendo-a como um direito social e rompendo com a ideologia tutelar do assistencialismo, da doação, do favor e das concessões do estado.

* A discussão do direito social, no Brasil, acaba prejudicada pela ideologia tutelar que vê a assistência estudantil, ou qualquer outra, como um jogo de favores e doações do estado, que é incorporada até pelas classes mais desfavorecidas, e no nosso caso, pelos estudantes, empobrecendo a finalidade e a importância da assistência para o estudante.

   Para cumprir seu papel social o estudante precisa de livros, equipamentos de aprendizagem prática, acesso à informação, participação em eventos acadêmicos e culturais. Outro aspecto como a inclusão digital, tendo em vista a importância da informática para a facilitação de pesquisas e estudos, se encaixa no quadro assistencial. E somente tendo essas condições será possível que a universidade avance ao terceiro item de sua dimensão, dando assim o valor devido a comunidade na qual ela está inserida, e não vendendo-se ao empresariado que financia pesquisas e cursos para produzir novos conhecimentos que beneficiem o lucro de suas empresas e, consequentemente, a contribuição da exploração da força de trabalho (como a situação de alguns cursos da UFAL que são financiados pela máfia sucroalcooleira produzindo pesquisas que desenvolvam formas de aumentar a lucratividade e esquecendo de toda uma comunidade que vive a mercê da força desses poderosos que controlam o estado de alagoas) afastando assim a universidade da comunidade.

   Por isso a importância de desenvolver o debate claro sobre o papel da universidade e do estudante dentro dela, para que possamos saber bem o que cobrar do poder e para que conheçamos e ganhemos forças para mudarmos nós mesmos o quadro lamentável em que nos encontramos.

Fatores de atuação:

A assistência estudantil perpassa uma série de fatores da vida do estudante, entre eles estão:

* Moradia/Migração: A variável localidade de moradia dos estudantes ao ingressarem na universidade é um importante indicador de qualidade de vida. Milhares de estudantes deslocam-se dos seus locais de moradia e contexto familiar para ingressarem na universidade, necessitando, portanto, do apoio efetivo da universidade. (Denunciamos a total precariedade em que se encontra as residências estudantis; o descaso com os estudantes, muitas vezes vindos de outras cidades, e até estados, demonstra a indiferença do poder para com a situação de suma importância que é a moradia estudantil).


* Alimentação: A importância da alimentação é primária para um bom desempenho acadêmico. É necessário ampliar e manter o apoio à alimentação dos estudantes, otimizando assim o seu tempo de vida acadêmica. (O descaso com a situação do R.U.(restaurante universitário) aparece de cara nas condições dos horários de pico alimentar, sem falar nos altos preços em alguns).


* Manutenção e Trabalho: Muitos estudantes precisam fazer a dupla jornada para se manterem estudando na universidade, e acabam tendo, algumas vezes, que abandonar os estudos, por isso há uma forte tendência dos estudantes de buscarem formas de se manterem dentro da universidade. A baixa oferta de programas acadêmicos remunerados acaba não suprindo essa necessidade e, principalmente com a bolsa trabalho, fazem o papel inverso aumentando a indisponibilidade de tempo dos estudantes inserindo-os em cargos de trabalho que deveriam ser preenchidos por técnicos.


* Meios de Transporte: A locomoção é um fator primordial para a manutenção do esporte na universidade. E, ao contrário do que é propagado, é papel do governo garantir que esse direito se valha. (Os aumentos abusivos das passagens aliados à uma gestão que visa o lucro do empresariado, e não as necessidades da população, tem se configurado como uma prática corriqueira no estado, por isso é preciso entender que o transporte, apesar de ser uma pauta mais universal, também se insere na reinvindicação da assistência estudantil).


* Saúde: O estudante também tem direitos relacionados a saúde (consulta no H.U. entre outros) porém a saúde é um tema muito mais amplo e universal e tem problemas gritantes que assolam toda a sociedade brasileira, milhões de pessoas morrem por ano numa fila de hospital, ou pelo descaso do atendimento e até pela falta de aparatos certos atendimentos. (toda essa constatação transpassa a voluntária precarização que o governo vem fazendo na saúde, se omitindo da gestão e usando desse discurso para implantar uma política de privatização que visariam entregar a saúde, que é um direito, nas mãos do empresariado, como acontece com o projeto EB$ERH).


* Acesso a Biblioteca: É preciso atentarmos para não somente termos uma biblioteca, mas para as condições na qual ela funciona, sua capacidade e horários de funcionamento, e até a ampliação do seu acervo.


* Acesso a cultura, lazer e esporte: É direito também termos programas de acesso e de investimentos em áreas de atuação cultural e social, levando para a comunidade acadêmica uma universidade pulsante e viva, com maior sociabilização.


* Movimento Social: É garantido por lei, também, a liberdade de organização dos estudantes e docentes e sua inserção nas cobranças e tomadas de decisões no que tange suas universidades, e as próprias universidades devem oferecer condições para tal. Portanto ao organizarmo-nos não estamos infligindo nenhum tipo de lei fascista e totalitária que poderia calar-nos.


* Creche: É necessário que as mães e país tenham um lugar seguro para abrigar seus filhos enquanto estudam, muitos deles não possuem condições para deixa-los com outras pessoas e até
pagar uma babá, o que leva também a defasagem e a desistência de muitos, daí a necessidade de uma boa creche, que não só mantenha as crianças mas que as sociabilizem e eduquem também.


* Portadores de Deficiência: Para esse ponto devemos ter um olhar mais minucioso e uma atenção maior. As políticas de inclusão para essa parcela da população não acontece de maneira efetiva, é preciso que haja investimentos em políticas que levem em conta essas diferenças e necessidades, que melhorem a acessibilidade em todos os fatores citados acima. A defasagem dessa parcela da população é muito maior e se veem condenados à uma vida de ostracismo quando não disponibilizam de recursos para se inserir na sociedade.


Conclusão:

Devemos portanto enxergar nosso papel dentro da universidade para que possamos estar criticamente inseridos nos processos de decisões, a importância da nossa organização para a sociedade em geral, e a universidade em particular, é primordial se queremos uma mudança efetiva dos quadros atuais de degradação da educação. Partindo da maior participação da população e de melhores debates sobre os temas abordados devemos nos centrar em como poderemos ter maior controle coletivo para que possamos juntos atenuar o papel da universidade na comunidade, por uma sociedade que deseja superar suas contradições e desigualdades a partir do conhecimento dos seus processos.

domingo, 29 de setembro de 2013

A Outra Campanha 2013: Pela força das ruas


Em 2013 presenciamos uma série de mobilizações sociais surgirem no Brasil exigindo o direito ao transporte público, gratuito e de qualidade . Também é o ano que “A Outra Campanha” completa 5 anos em Maceió, abrindo caminho para discutir nossos direitos sociais para além das campanhas e partidos eleitorais. 

No dia 03 de Outubro a partir das 19h estaremos discutindo a força das ruas como impulsionadora de uma outra política de mobilidade urbana que beneficie o povo e não os empresários. Convidamos todos a não só comparecer como participar desse debate, fortalecendo nossa capacidade de indignação.






COMO CHEGAR?

MAPA
http://goo.gl/maps/P9Cye

É bem simples de chegar, pra quem vem de fora, mas já conhece o bairro é saltar no ponto após a Praça Santa Tereza e entrar na rua em frente ao ponto do Colégio Rui Palmeira.

Pra quem ainda não conhece, passam aqui as linhas:

> No ponto do Rui Palmeira: Pontal-UFAL, Trapiche-UFAL, Mirante-Vergel, Jacarecica-Vergel, Vergel-Jatiúca, Ponta Verde-Vergel (Avenida ou Santo Eduardo), J Leão - Ponta Verde.

> Na rua da sede: Henrique Equelman-Vergel (Passa por trás da principal, descer após a Cabo Reis e voltar até o Mercadinho Omena).

> No ponto da Santa Tereza (e seguir andando até o Rui Palmeira, na mesma rua): Clima Bom-Trapiche, João Sampaio - Trapiche, Pontal-Rodoviária, Cruz das Almas-Trapiche, Circular 2.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Os frutos do Sarau da Resistência

Um mês depois do seu primeiro Sarau, que marcou também a comemoração de seus 5 anos de existência, a  Resistência Popular Alagoas traz alguns frutos desta construção coletiva. 

O relato a seguir foi escrito pelo companheiro Robson Véio, facilitador das oficinas que ocorreram no dia 24 de Agosto e grande entusiasta do Sarau da Resistência:


Sobre o SARAU DA RESISTÊNCIA

No sábado, 24 de agosto de 2013, eu tive a oportunidade de conhecer a sede da Resistencia Popular- Alagoas. Situada no Vergel que é um dos bairros, segundo as estatísticas, mais violentos de Maceió, nada me surpreendeu quando, ao olhar para os lados, pude perceber que não se via as mesmas coisas que inexistem nos bairros de periferia em todo lugar do mundo... Ou seja; tudo o que os bairros nobres têm de sobra.

Mas o que se poderia ver também - e não me foi surpresa - foi uma maioria de pessoas (uma maioria Preta mesmo quando com a pele mais clara) sem um espaço para saciar suas necessidades além do mínimo para se manterem vivas e alimentarem os cofres doutros com sua força de trabalho ou desempregadas sendo usadas como pressão para amedrontar as lutas daquelas que ainda se  mantem em “condição produtiva”.
A sede, que é uma casa com 2 quartos, tem biblioteca, sala de informática (em construção) uma boa área externa e mantém atividades como reuniões, debates, exposição de filmes e documentários, etc...
Eu fui até lá realizar uma oficina de Sarau, oficina esta que foi dividida em vários momentos. De inicio fiz uma apresentação sobre o surgimento dos Saraus na historia, a resignificação/resgate por nós da Periferia, uma oficina para a construção de um Sarau, onde foram apontados alguns aspectos importantes para organização e para que ele possa funcionar de acordo com os objetivos que se almeja, que no nosso caso para além de um espaço de confraternização da poesia é que sirva como uma ferramenta para a construção do Poder Popular.
Foram usadas como material da oficina os vídeos: “Curta Saraus”, “Documentário Sarau Elo da Corrente” e “Sarau do Binho Vive”.
Terminada a oficina, e após um intervalo, junto com a noite nasce o “Sarau da Resistencia”.
Realmente é muito difícil colocar em palavras, sentimentos e ações que acabam tocando de maneira tão forte os nossos corações, afinal como diz Marechal “computador não capta emoção espiritual”. Sentimentos estes que devido as dificuldades diárias os capitalistas dizem que não podemos ter, como sorrir entre os nossos mesmos sem parar por um instante de lutar e com isso nos abastecer  com mais energia para enfrentar a peleja contra quem nos acorrenta.
O “Sarau da Resistência” foi sensacional!

Todas as vozes recitando gritos de revolta, alegria, dor, desejos, libido, bobagens, tristeza, amor pela vida... Negando duplamente as falas que insistem em dizer que a revolução é feita por pessoas carrancudas e que local de diversão não é lugar pra ficar se falando de politica.
Lá estavam, e não só em palavras, as Ocupações dos Sem Teto, que acontecem neste momento em Maceió; estavam os escritores das periferias de todos os cantos com sua literatura que deve ser conhecida por ser feita por pessoas como nós e não por aqueles “artistas encastelados”; estava o pessoal do hiphop, do rock e de todas as músicas; aquelas pessoas que estavam nas ruas de Maceió no enfrentamento contra o capital nas Jornadas de Junho; estavam pessoas curiosas, trabalhadores, desempregados, estudantes... Ou seja, pessoas comuns, aquelas que aprenderam desde há muito tempo, seja no momento da invasão desta terra e no massacre que se iniciou ali, seja no sequestro que sofremos para sermos escravizados ou no holocausto diário nas engrenagens dos dias atuais, que eles não podem roubar a nossa vontade de viver.
Só posso agradecer à Resistencia Popular pelo convite principalmente por fazer parte da comemoração dos seus 5 anos e dizer que o aprendizado que tive nesses dias, não só nas atividades mas nas conversas e afagos, será compartilhado com as pessoas que lutam aqui em Salvador e por onde eu passar.
“Ouçam os gritos... a Luta de Classes ainda não acabou!”

AGRADECE!

Róbson Véio



Abaixo, o Manifesto da Resistência, feito e declamado pelo companheiro Arthur:


MANIFESTO DO SARAU DA RESISTÊNCIA


Companheiras e companheiros, quero lhes dizer que hoje, nesta humilde residência, nascem flores.
Nascem flores, cores, dores e amores em formato de poema.
Estendidos num varal, deslizando pelas bocas ou retido nos pulmões dos mais tímidos, eles vão
brotando da cada cabeça e sendo colhidos por cada coração aberto para recebê-los sem algemas.

Com o vento batendo nos varais, as letras no papel sangrado se vão à revelia tocar os passantes em
 cada esquina dessa periferia.
Com a boca abrindo e fechando no compasso do ritmo cardíaco, a voz vai aos poucos liberando em
pequenas doses essa feitiçaria, que entorpece nossos ouvidos e nos preenche cada parte antes vazia
e nos pulmões dos envergonhados, o ar circula num endo-fluxo infinito junto aos pensamentos
contidos, confabulando em versos mudos os segredos nos olhos escritos.


Companheiros e companheiras, gostaria de lhes revelar  que, nesta humilde residência, moram
sonhos. Moram corações e, principalmente, mora o sangue; da luta e da vida.
Esse mesmo sangue latino e nordestino que corre em suas veias e nas minhas.
E que nos abarca e nos abraça numa irmandade robusta, e que ao mesmo tempo, nos acaricia.

Companheiras e companheiros, a velha quintessência profana da Bahia nos trouxe hoje a

oportunidade de partilhar um pouco de nossas angústias, paixões e alegrias; embriagadas por ritmo
e poesia.
Então vamos! Celebremos não apenas hoje, mas em toda vida! Não apenas agora, mas a todo
instante de cada novo dia!

Companheiros e companheiras, confesso-lhes do fundo das minhas letras nuas e cruas que desejo
que a partir de hoje, se edifique e se fortaleça a resistência a este mundo vil. E vamos reescrevendo-o  conforme a nossa caligrafia.

Companheiras e companheiros, nesta viva resistência se agrupam mentes, corpos e corações que seguem lutando e avançando construindo o poder da periferia.
E juntos, por onde quer que passemos, seja com versos em poesia, com palavras de ordem, com
armas nas mãos, com a bandeira vermelho-negro em punho ou com as canções sobre a revolução e
 a vida em frente aos corações que carregam um novo mundo; que se juntem a nós!

Então lutemos e brindemos, porque agora é a hora e hoje é o dia!
Lutemos! 

 

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

[Estudantil] CERP convida: Constuindo o Poder Popular

O Comitê Estudantil da Resistência Popular (CERP) convida a todos e todas para sua atividade de apresentação da proposta da Resistência Popular (RP). 

A atividade acontecerá na Universidade Federal de Alagoas [Campus A. C. Simões/Maceió], no Auditório do ICHCA (Bloco de História/Ciências Sociais) no dia 25/09 às 17h e contará ainda com a participação dos Comitês Sindical e Barrial da Resistência Popular e do Coletivo Mulheres Resistem, também vinculado à RP/AL.


COMO CHEGAR?

MAPA
http://goo.gl/maps/gxp6q 

Maiores informações: (82) 9936-7171

domingo, 15 de setembro de 2013

[Sindical] Discutindo a precarização do trabalho

O Comitê Sindical da Resistência Popular convida os interessados para um bate-papo sobre as velhas e as novas formas de precarização do trabalho que será realizado no dia 21/09, às 9h, na nossa sede.
MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O LOCAL, ABAIXO



COMO CHEGAR?

MAPA
http://goo.gl/maps/P9Cye

É bem simples de chegar, pra quem vem de fora, mas já conhece o bairro é saltar no ponto após a Praça Santa Tereza e entrar na rua em frente ao ponto do Colégio Rui Palmeira.

Pra quem ainda não conhece, passam aqui as linhas:

> No ponto do Rui Palmeira: Pontal-UFAL, Trapiche-UFAL, Mirante-Vergel, Jacarecica-Vergel, Vergel-Jatiúca, Ponta Verde-Vergel (Avenida ou Santo Eduardo), J Leão - Ponta Verde.

> Na rua da sede: Henrique Equelman-Vergel (Passa por trás da principal, descer após a Cabo Reis e voltar até o Mercadinho Omena).

> No ponto da Santa Tereza (e seguir andando até o Rui Palmeira, na mesma rua): Clima Bom-Trapiche, João Sampaio - Trapiche, Pontal-Rodoviária, Cruz das Almas-Trapiche, Circular 2.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Sarau da Resistência



 "Ouvimos cada dia mais alto vozes construindo Vida nas Periferias das cidades. Estas vozes se encontram em vários lugares para celebrar, mas tem um lugar onde elas se jogam e mais soltas, cantam, dançam, recitam e muito mais... Sempre com muita ginga. SARAU é o nome deste lugar. Onde a nossa expressão é nossa e quem decide o que faremos somos nós mesmos.
     
Sendo assim convidamos todas as pessoas a virem para o SARAU DA RESISTÊNCIA  trazer seus sonhos, angústias, alegrias, desejos e nossa fome de viver para juntas confraternizar e alimentar o Poder Popular".

terça-feira, 6 de agosto de 2013

NOTA DE SOLIDARIEDADE DA RESISTÊNCIA POPULAR AOS MORADORES DO BAIRRO SANTA LUCIA

“Já se organizaram em coletivos?
Não esperem mais. Ocupem as terras!(...)
Precisamos criar um mundo novo, diferente do que estamos construindo”

(Buenaventura Durruti)

Apesar de estar assegurado pela Constituição Federal, o direito à moradia é mais um dos direitos sociais que estão sendo violados. Isso se dá por diversos motivos, em destaque: a especulação imobiliária e os lucros que o Estado irá obter com a reintegração de posse, direta ou indiretamente.

Acumulando índices alarmantes, como pior índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil, maiores índices de evasão escolar e mortalidade materno-infantil, ainda entra para as estatísticas a questão da moradia, para cerca de 19 mil pessoas ainda existe a falta de um lugar para morar, além daquelas que moram em barracos ou que precisam pagar sem ter ao menos condições mínimas para manter todas suas necessidades de subsistência.

Por isso, nós da Resistência Popular de Alagoas, vimos através deste, manifestar nossa solidariedade à ocupação dos moradores do bairro Santa Lucia nos prédios do INSS, no Centro da capital Maceió. Mais que a revolta e a indignação por terem sido expulsos dos locais onde construíram suas casas, constituíram família, criariam seus filhos e netos, o que existe é a luta pela garantia de um direito humano básico, que é o direito à habitação. 

Acreditamos que é só através da mobilização e empoderamento popular, da luta coletiva construída por quem está sendo submetido às injustiças promovidas pelo grande mercado capitalista e pelo Estado que conquistaremos o que é nosso por direito e caminharemos para uma sociedade livre emancipada, solidária e justa. 

Lutar por um teto em nossas cabeças é muito mais que lutar por uma casa. É lutar por dignidade, por condições humanas de vida, pela garantia de que todas as pessoas devem e tem direito a ter um lugar seguro e seu para morar.

Contra o capitalismo e o Estado que rouba nossas casas e nossa dignidade!
Pelo direito pleno à moradia!
Lutar, criar, poder popular! 
 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

quinta-feira, 30 de maio de 2013

NOTA SOBRE O ATO PELA SEGURANÇA NA UFAL

                                                  



   Por que a Resistência Popular – AL foi contra o Ato pela Segurança que aconteceu na UFAL no dia 23 de maio de 2013? Porque o mesmo aconteceu de maneira atropelada. E por que isso se deu? Porque uma parcela das pessoas que estavam na reunião que o deliberou, mostraram desinteresse em construir uma unidade. Não sabendo ouvir às argumentações dos demais presentes. 

   Uma das argumentações era de fazer uma assembleia no hall da reitoria – para dar visibilidade –, elencar, coletivamente, uma pauta de reivindicações, para, em seguida, entrar no gabinete da reitoria, para ser entregue a pauta e marcar uma reunião. E isso, porque a intenção primeira era centrar fogo em pautas que era sabido que seriam mais fáceis de serem alcançadas. Lembrando, que esta agitação começou, porque quatro cursos (Ciências Sociais, Filosofia, História e Letras) foram mandados para dois blocos que estão em construção nos limites finais da UFAL, favorecendo assim, a insegurança para os estudantes, professores e técnicos. 

    Portanto, seria de fundamental importância formar uma unidade de luta. A assembleia viria neste sentido, pra saber o que, de fato, os estudantes querem, e não tirar das próprias cabeças conclusões do que eles querem. Daí, a real relevância da assembleia para uma coesão do movimento. Conseguindo esta inicial unidade, a pauta se estenderia para algo maior. O problema da segurança não é um problema da UFAL, muito menos, somente das Universidades Federais do Brasil; sequer é um problema só de Maceió, ou do Estado de Alagoas. O problema da segurança abrange toda a nossa sociedade e vem de muito tempo. Logo, não é um ato sem forças que conseguiria solucionar essa problemática. E, é de maneira crescente que, sim, acreditamos ser possível partir para enfrentamentos mais complexos que tangem toda a sociedade.  

   No entanto, a proposta da assembleia foi tratorada para se fazer um tipo de ato nos moldes vanguardistas, que favorecem o propagandeamento das organizações em detrimento do protagonismo da base estudantil como agente reivindicador de suas próprias necessidades, onde o espaço do movimento torna-se palanque para se hastear bandeiras e fazer discursos em nome da entidade e não da base estudantil. Isto é ativismo: lutas pontuais descoladas de um compromisso permanente com as causas do movimento (pois é sabido que o problema da segurança não se resolveria com este tipo de ato). Por isso, nós da Resistência Popular, entendemos a maneira como decorreu a construção e a própria realização do ato como retardadoras ao processo de construção coesa do movimento estudantil na UFAL.
   
   Defendemos uma proposta de atuação direta, feita pelo povo, com o povo e para o povo, coisa que não aconteceu neste ato, pois não tínhamos o respaldo da base. O que foi feito deste, definitivamente não deve ser compreendido como ação direta. 
   
   Ao contrário do que aconteceu, acreditamos que ao menos a mínima unidade entre os quatro cursos deveria ter sido buscada e que o debate necessitava de amadurecimento para sua execução, e assim pudéssemos conquistar os resultados desejados. Então, acreditamos e defendemos a construção de lutas levadas a cabo, verdadeiramente, pela ação direta e que contenham a maturidade necessária ao movimento para que este possa erguer-se de modo a dar respostas que incomodem – diferente do resultado do ato ocorrido – os responsáveis pela situação de insegurança e precariedade a qual estamos postos; e com isto conquistemos, pela força do povo, aquilo que desejamos. 
                                             

                                                    Resistência Popular AL- Comitê estudantil